terça-feira, 15 de dezembro de 2009

desempoeirando esperas

olhos pousam na espera do inesperado desenfreado, do inebriante desacorrentado.
o sono pesado, que desacorda os acordes de pesadelos de pelos eriçados, expulso de trás da cortina verde, na meia luz do quarto.
quero ver-te mais uma vez e verter versos (meu sagrado ofício), que nos libertam de pesados passados sacrifícios.
lembro ainda de salgadas lambidas nos olhos avistados longes do mar... eles refletiam ondas de marejar... mas eram apenas os meus, que refletidos nos teus, me davam essa impressão... apenas pela expressão, quem sabe pela ótica da ilusão.
dispersos os teus, atentos os meus, diversos olhares em nossa direção...
um pantomímico que oferecia flores de plástico, não lhe causou a mesma minha comoção.
me acomodo então, na espera da chegada eriçada... de peito aberto e desempoeirando as palavras de amor, guardadas nas janelas do tempo... esperando o merecido benefício...
hoje o amor me vaza por todos os orifícios...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

4 anos e uma saudade sem fim...


hoje já não visto luto. eu estou na luta do que sempre acreditei e que você incentivou.
não vou escrever um poema que desfaça meu nó na garganta, vou deixá-lo que aperte por todo dia e que enforque essa saudade sem fim.
vou viver essa ausência que o tempo acomoda, mas que incomoda.
vou resgatar memórias, até o último dia em que compartilhei teu sorriso, que está impresso na foto que guardo no quarto.
não vou celebrar missa, nem tão pouco acender velas para quem me vela os dias e as insônias.
vou me manter em silêncio. essa será minha prece.
vou usar branco como usei no dia da tua despedida certa de qualquer dia, o reencontro.
no dia que na tua presença novamente, me vestirei de encanto, sentindo toda leveza da carne que se esvai. e de novo poderei te ter em luz, meu pai...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

bem te quer

ja estive em suas mãos quando ajoelhada aos teus pés

como uma sagrada devassa reafirmando sua fé

já tive o seu corpo tenso, enquanto você todo dentro

respeitei teu compromisso e também seu silêncio

me escorreguei no teu suor e compartilhei teu vício

me entreguei de costas pra não amarrotar o vestido

resguardei minha fome e abafei meus gemidos

justifiquei a nossa carência como excesso de libido.

escondi todas as provas que indicassem o teu crime

violentei os meus princípios por sussuros nada sublimes

sublimei a realidade que apenas me ardia...

e agora, que as estrelas se escondem atrás de nuvens que se espalham

eu não posso acreditar nos que presenciaram os sentidos e que os olhos hoje negaram

mas me consolo no conformismo de todo amor que habita a mulher e que faz da gente o que bem quer...

é que o bem te vi beijou a flor e me deixou o mal me quer.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

desfábula

- eu não vim aqui fazer poesia...


- não? veio fazer o quê então?


- dizer que te amo desde aquele dia...


- não fantasia...


- achei que você também me queria.


- queria, mas achei que era minha ilusão...


- comprei por impulso minha passagem de avião.


- eu matei o amor que sentia, te achava tão fria...


- ... eu te acho um tesão.


- eu não percebia...


- me olha nos olhos, me dá sua mão.


- na frente dessas pessoas, não.


- navega no meu corpo, mata a minha solidão...


- já disse que não.


- eu penso em você todo dia, todo dia...


- por que não me disse, antes de eu mergulhar em outra paixão?


- não posso mentir que não te amo.


- não posso fingir que eu te quero.


- te espero.


- talvez quando você se for, eu busque teus olhos na multidão...


- te espero.


- talvez teu amor nunca fique velho...


- talvez eu te faça uma canção...


- pode ser que eu nunca comente...


- e eu me engane que nunca chegou.


- quem sabe eu faça um filme.


- pode ser que eu vire pétala...


- quem sabe eu viro lenda...


- pode ser que eu vire lágrima.


- quem sabe você nunca mais volte.


-pode ser que você nunca note.


- só estou sendo sincero.


- só queria ser amada.


- esse papo me deixou sóbrio.


- pode ser que eu nunca volte...


- pode ser que eu nem note.


- nesse caso eu viro lágrima.


-ou quem sabe vire a página...


(se perderam entre um check in e um black out. não se sabe ao certo se são felizes... mas sem dúvida, são para sempre...)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

psiu...

para desfrutar aura, alma e entranhas do corpo


o prazer mistura células e abandona horas perdidas...


do lado esquerdo, o dia é áspero


na minha língua, é doce


na tua boca, água.


uma hora na tarde da eternidade, é pouca.


a façamos louca! forte. suavemente...


pois nós aqui, não consolamos poemas.


nós conservamos delícias, simplesmente.






segunda-feira, 16 de novembro de 2009

...

hoje eu não quero o tédio embaçado na janela.

quero apenas a lembrança de um corpo lapidado

e o sal do suor melado e entranhado

nas indecências sussurradas por entre minhas pernas.

quero a memória da fúria de dentes no pescoço

e essa coisa de pele, de carne, de alma e de osso,

que termina em espasmos e estremece a calmaria

e me afaga ofegante de prazer e poesia.
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performar é preciso!

araka - zerozero- 10 do 11 de 2009
quem tem medo do apagão?
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elllas e os monstros - faz cinco bocas que eu não te beijo
circo voador- 2009
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EleEllaeumadElllas - circo voador- 28 do 10 de 2009
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

voo de rapina


sinto os pés no chão, mas me instiga o espírito do voo.... me atrai o olhar da águia e a leveza de ser sustentada, pela força do invisível vento.
às vezes me sinto quase lá... mas é preciso mais que o vento. é preciso coragem.
coragem para optar entre envelhecer na beira do abismo ou planar entre constelações e nebulosas e também rumo ao infinito que se faz entre o mar e o sol, mas sempre em direção a um universo desconhecido, com minhas graciosas asas douradas e tão suspensa quanto surpresa pelo que se abre aos olhos, sobre o mistério do céu.
entre cores e flores desabrocham amores selvagens e sensíveis, entre serpentes e orquídeas especialmente observadas por elfos e ninfas. Fauna e flora em festa, refletida na minha retina águia, que se espalha no espelho das águas.
voo solamente solo, e no solo nada de seca, sinto o cheiro doce umidecido e verde, da floresta fresca e seus talos tenros.
e como ave de rapina, avisto um homem. o único. me atraio. sobrevoo, rodeio. ataco. direto no coração.
(...)
talvez fosse ele, quem soubesse me amar e incondicionalmente fosse a sua única condição, pra toda e qualquer forma rendinção.


(eu não matei o amor?)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

poemicídio



não há poema que descreva, o que se passa nesse vácuo agudo que eu sinto no meu peito.
e eu, não encontro mais respostas no silêncio que pronuncia em seus versos, para as perguntas que te lanço e não te alcançam. e sei, te cansam.
existem outras cores de olhares que me atraem, mas se dispersam e se distraem, quando as busco no lusco fusco de monólogos desconexos.
essa mulher que sob refletores domina a multidão, é a mesma que se desmonta no breu solidão.
não há poema que eu faça que transmita, que não há amor no mundo que resista a qualquer falha de atenção. e eu não busquei isso. eu, isso não.
eu fui pra longe e tão pra dentro de mim mesma, para provar que o amor é o banquete e nunca, jamais a sobremesa.
me ofereci pra tua ceia em noite de lua nova, mas tua barriga estava cheia e você cheio de prosa. você há tempos é meu fogo, e talvez por isso que me seque. a rosa.
e só porque pelo que sinto eu tenho fidelidade, eu ainda bebo as lágrimas da minha vontade e nos raros dias, em que sempre distante eu mais me afasto, eu estática atesto: que eu te provoco e te testo, porque eu te amo e eu te detesto.
e por mais explícita que eu sempre seja, você não me entende, porque não mais deseja e me desdenha como quem descarta restos.
e eu, a quem aplaudem e chamam de poeta, ainda me exponho nos meus gastos versos. eu sei, ultimamente tenho pecado pelo excesso.
mas, se você quiser exterminar tua consistente constância de meus poemas, que o faça agora!
seja meu algoz, o meu caçador... estou de peito aberto, mate esse amor!
mas quando encarar o raso dos meus olhos, e o nada de brilho lhe for indigesto, que por mim pela última vez, você se entregue... te peço esse último gesto.

seja um réu confesso.


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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

afeto no alvo. acerto?



(replicante, explicitamente implicante)

sou bicho que escreve, ama e trepa com os próprios versos... incestuosamente, já que de mim são expelidos - percebam o parto de um poema.

e o cheiro de sangue que dele exala, espalho por entre as coxas... e as coisas muitas que lhe ofereço loucas, degusto aos poucos na frente do espelho com dedos úmidos dentro da boca.

e preciso agora e sonho sempre, de quem se entregue louco e todo, num sussurro rouco...

sou mulher bicho, que cura feridas com largas lambidas em noites insones, lembrando o terno que me consome, e o devasso encontro que o tempo faz pouco - mas eternizo na infinda fome, gemendo versos que atinjam o alvo, do afetado afeto do escolhido homem.
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